Hunter GE CoverTune (Aplicação)

Postado por leopedrini quarta-feira, 26 de março de 2014 17:02:00 Categories: Access Analysis Hunter VBA
Rate this Content 3 Votes

A área de alcance de cada célula da rede influencia diretamente na eficiência do sistema, em termos de Qualidade, Capacidade e Cobertura.

Por isso é fundamental que cada uma esteja perfeitamente ajustada. Esses ajustes incluem alterações dos parâmetros de configuração (por exemplo, para balanceamento de carga), e também ajustes de parâmetros físicos.

Nesse último caso, o ajuste de tilts e azimutes (e às vezes até da altura) das antenas é um fator determinante para alcançar os melhores resultados possíveis.

O contrário também é verdade: se os tilts e azimutes não estiverem corretamente ajustados, a tarefa de melhoria da rede se torna praticamente impossível. Se as configurações físicas estiverem com problemas graves, não há configuração de parâmetros que melhore a rede.

 

O problema é que esse tipo de análise não é simples, pois geralmente envolve complicadas análises. É necessário avaliar, para uma mesma célula, diferentes tecnologias existentes (2G, 3G, 4G) com possíveis diferentes camadas (frequências e/ou portadoras).

As ferramentas existentes para esse tipo de tarefa são consideravelmente “pesadas” (ferramentas de predição, com complexos cálculos de predição de cobertura de sinal, e que quase nunca contemplam “todas” as camadas). Além disso, elas requerem tempo para o carregamento dos dados, configuração de diversos detalhes. Detalhes esses que nem sempre todos os profissionais estão familiarizados.

Assim, uma ferramenta que nos permita uma análise rápida desse cenário pode trazer ganhos substanciais na melhoria da Qualidade, Capacidade e Cobertura de uma forma geral, melhorando a Satisfação dos Usuários.

Além disso, uma rede mal ajustada em termos de azimutes e tilts pode levar a erros de Planejamento, o que poderá requerer novas células (muitas das quais talvez não sejam necessárias com um correto dimensionamento do sistema irradiante).

E para resolver esse problema, desenvolvemos mais uma aplicação, mais um módulo Hunter para nos ajudar nessa verificação rápida.

Vamos conhecer então os detalhes dessa aplicação.

 

 

 

Objetivo

Apresentar as principais funções do módulo “Hunter GE CoverTune”.

Como sempre, o módulo é um aplicativo completo, inclusive com dados de uma rede fictícia. Dessa forma, os usuários HUNTER podem utilizar como está (simplesmente ajustando os dados de sua rede real), mas também fazendo customizações/melhorias no mesmo de acordo com as suas necessidades.

 

Interface do Usuário

A interface principal é como sempre bem simples – com os principais comandos que precisamos, e novamente: permitindo qualquer tipo de customização.

Ao receber os arquivos fonte, você poderá extrair os mesmos e montar a estrutura mostrada a seguir.

Nota: lembre-se de que todas as dezenas de módulos que você já recebeu até hoje seguem a mesma estrutura, e você já deve ter extraído todos para a pasta local “C:\”. Assim, quando fizer a extração dos arquivos do módulo hoje, a sua estrutura será bem maior que a mostrada abaixo.

 

A interface principal do módulo de hoje é acessada através da abertura do arquivo “Hunter_GE_Covertune_RUN_1.0.0.mdb” (localizado no diretório ‘Scripts’ desse módulo).

 

Cada vez mais vamos focar na “utilização” dos módulo. Caso você tenha alguma dúvida na customização desse módulo, por favor, utilize o nosso Fórum restrito: https://groups.yahoo.com/neo/groups/HUNTERUSERS/info. E se tiver problemas com a reprodução do que mostraremos aqui, por favor, entre em contato.

 

Utilizando o Módulo

Como já mencionado, esse módulo nos permite uma rápida análise das coberturas de cada célula da rede.

A principal entrada de dados que você deve ter, naturalmente, é uma tabela simples com os dados da rede (latitude, longitude, antenas, azimutes, etc.). Essa é uma tabela que segue a padronização Hunter, e encontra-se no diretório “C:\HUNTER\Network\Database\”. No exemplo de hoje, temos um link para no Access essa tabela do Excel, mas lembramos que você também pode ter a sua tabela da rede vinculada a partir de qualquer outra base de dados, como, por exemplo, um outro arquivo do Microsoft Access.

E você pode acessar esse arquivo facilmente através no botão (1) que abre o diretório onde o mesmo se encontra.

 

Ao abrir esse arquivo, você verá os dados de sua rede (no caso, nossos dados fictícios de exemplo).

 

Alterando os dados dessa tabela, os resultados são automaticamente atualizados (executando a macro novamente).

Todas as demais entradas são apenas ajustes, como por exemplo, os que definem as cores e demais atributos dos polígonos e outros objetos do Google Earth que serão criados. E você também pode acessar esse arquivo diretamente através da interface desse módulo: guia “Cell Map Type” (1).

 

O “Cell Map Type” é necessário como uma forma de identificarmos as diferentes camadas, e como cada uma delas dever ser customizada (cores, etc.).

 

Essa tabela de configuração é comum a todos os demais módulos que necessitam das informações contidas aqui. Por exemplo, quando você cria um arquivo com todas as suas células, ou então quando plota KPI’s ou Parâmetros no Google Earth, é daqui que são buscadas as mesmas informações de raio de cada camada, etc.

No caso de hoje especificamente, não vamos utilizar todos os dados. Basicamente precisamos daqui apenas a informação da camada (campo “CellMapType”) e seus respectivos atributos.

Por exemplo, se na tabela da rede a célula é CellMapType = 1, então vai ter uma cor verde. Se CellMapType = 4, então a cor é Rosa. E assim por diante.

Os campos “Technology”, “Band” e “Carr” são auxiliares, e permitem que você defina facilmente os atributos das camadas, baseadas nessas entradas.

Dica: Além disso, mesmo que você não tenha o campo “CellMapType” em sua tabela da rede - geralmente é o que acontece, e também é o caso nesse exemplo de hoje. Você pode fazer uma consulta utilizando essa tabela e sua tabela da rede, gerando assim uma consulta com a “nova” tabela da rede – que agora terá o campo “CellMapType” de acordo com as suas escolhas.

Mas tudo fica mais fácil praticando, e vamos fazer isso daqui a pouco.

Vamos apenas terminar de comentar sobre alguns outros itens da interface principal.

Um deles é o “Styles” (1), outra planilha do Excel que você já está familiarizado, onde definimos “estilos” (cores, tamanhos de linha, etc) e que posteriormente serão associados às células correspondentes.

 

Aqui cabe uma pequena explicação.

Hoje não estamos plotando especificamente a “Cobertura” da célula, mas sim as “Coberturas” dos planos “Central”, “Upper” e “Lower” do diagrama de irradiação da antena.

A figura abaixo nos ajuda a entender melhor. Para um mesmo tilt (por exemplo, igual a zero), temos 3 planos distintos, de acordo com a abertura vertical da antena.

 

Uma parte extraída do código fonte nos mostra as fórmulas utilizadas nos cálculos GIS.

 

E são esses mesmos planos que também são representados nos atributos. Por exemplo, na imagem abaixo podemos definir atributos distintos para “Central Plane” (1), “Upper Plane” (2) e “Lower Plane” (3).

 

Nota: mais uma vez lembramos que estas são customizações “possíveis”; entretanto, você pode usar todas as configurações da forma como estão, e já terá um resultado muito bom para suas análises.

Vamos finalizar a descrição dos itens da interface principal.

Voltando à guia “Main”, vemos os principais filtros possíveis (1). Com eles você tem a flexibilidade de gerar arquivos de acordo com a sua escolha (apenas para NENAME, CELLNAME, SITENAME, etc...).

 

E através de “checkbox” (2) podemos escolher os planos (apenas um - como no nosso caso o principal “Central Plane”; dois deles; ou todos) que queremos plotar.

Finalizando, uma facilidade presente nesse módulo é a possibilidade (1) de dividir o arquivo de saída em múltiplos arquivos.

 

Isso é bastante útil se você tem uma rede muito grande (acima de 3.000 células), e quer gerar tudo de uma vez. Se você selecionar esse “checkbox”, será gerado um arquivo com os dados agrupados para cada primeira letra do site.

Explicando melhor: supondo que você tenha um site “ACX” e um outro “DDF” em sua rede. As células do site “ACX” serão plotadas no arquivo que começa com “A_”, e células do site “DDF” serão plotadas no arquivo que começa com “D_”.

 

Bom. Chega de descrição por hoje. Vamos agora ver os resultados, já que a melhor forma de aprender é praticando.

Simplesmente abrimos o programa, e clicamos no ícone “Executar”. Após alguns segundos, a tela de confirmação de sucesso surge (1), informando que os arquivos já estão disponíveis no diretório: “C:\HUNTER\GE\Covertune\Output\”.

 

Você pode abrir esses arquivos facilmente: clique no botão correspondente (1), para abrir esse diretório.

 

Abrindo esse arquivo, você já tem tudo pronto para analisar a sua rede.

A visão geral já nos indica vários problemas. Inúmeras células com o Plano Central apontado a uma distância de vários quilômetros (os polígonos maiores na figura).

 

Clicando em qualquer um desses casos, por exemplo, a célula “UABC_2100-1”, já identificamos o motivo dessa anomalia: essa célula está com Tilt Total (Elétrico e Mecânico) igual a Zero!

 

Essa é uma das rápidas análises que podemos fazer em qualquer rede, e que pode nos ajudar muito na identificação de casos similares (tilts muito baixos, com a cobertura chegando além do que devia).

Nota: Nesse caso específico, uma célula de borda, essa situação não é tão “crítica”. Mas os outros casos, em células centrais e que deviam ter uma cobertura mais “contida”, muito provavelmente está causando problemas.

Mesmo assim, vamos aproveitar essa mesma célula, para fazer um outro tipo de análise.

De acordo com os dados de exemplo, esse setor tem 2 células: uma 2G-GSM (GABC_850-1 em verde na figura) e outra 3G-UMTS (UABC_2100-1 em rosa na figura).

 

Vemos na figura acima que o plano central (determinado pelo tilt total e abertura vertical da antena) da célula 2G está a cerca de 500 metros, enquanto nesse mesmo setor, a célula 3G tem seu plano central a vários quilômetros! Não é difícil entender o problema, não é?

Ou seja, de uma forma bem simples, vimos um caso crítico de uma situação (não desejada) como a mostrada na figura abaixo.

 

Nesses tipos de casos não há otimização de parâmetros que resolva os problemas causados por essa situação. Seja entre 2G e 3G, mas também entre diferentes portadoras 3G, e ainda 4G!

E também não é necessário dizer (embora já dissemos antes) que casos como esses são ainda mais críticos em regiões mais densas. Na figura abaixo, identificamos regiões com possíveis problemas (raios maiores sobrepondo diversos menores).

 

E também podemos utilizar os resultados para uma boa aproximação de predição*. Naturalmente, os resultados e ações definidas podem sempre ser confirmadas (via ferramentas de predição). Mas na prática, o simples ajustes inicial dos casos mais destoantes traz um resultado impressionante em toda a rede – Capacidade, Qualidade e Cobertura, como falamos no início desse tutorial.

 

Lembre-se que estamos tratando com dados fictícios. Mas não se surpreenda se você encontrar casos muito parecidos em sua rede – e mostrar as sugestões para o seu chefe!

E nem precisa nos agradecer: você já fez isso, ao fazer a sua doação. Isso nos motiva a desenvolver sempre novos módulos que possam trazer resultados simples, objetivos e eficazes para a melhoria geral do seu sistema.

Muito em breve disponibilizaremos outros tutoriais: por exemplo o “Hunter Covertune XL” – uma fantástica macro no Excel que permite identificar problemas de desbalanceamento entre outros, a partir da tabela que você já tem com os dados da rede.

Outro tutorial que também já está quase pronto é o “Hunter GE Mapcell” – convertemos o aplicativo do Mapinfo/Mapbasic (clique aqui se você ainda não conhece) em uma aplicação fácil de usar no Google Earth, e com muito mais recursos.

E ainda: não deixe de continuar participando nas outras seções do site - principalmente a parte de cursos, onde estamos publicando uma série de tutoriais explicando de maneira (sempre) bem simples complexos conceitos de LTE.

Aproveite essa semana, e pratique com os dados que você já recebeu em seu e-mail cadastrado na lista de Usuários Hunter. Já somos centenas, e cada vez fica mais interessante a interação e colaboração entre todos, como o objetivo comum de trazer as melhores práticas de telecomunicações para a realidade de nossa (sua) rede.

Nota: se você não é Usuário Hunter, embora não receba todos os arquivos (desse e de todos os demais módulos), pode aproveitar essas ideias e utilizar em suas próprias macros que você desenvolve. Em caso de dúvidas, crie um post em um de nossos diversos grupos abertos telecomHall.

 

Conclusão

Vimos hoje um novo módulo do Hunter que nos permite uma análise bem rápida, porém muito eficiente das diferentes coberturas das células da rede.

A partir dos resultados (arquivos gerados) esse complexo tipo de análise torna-se trivial. Identificar os problemas e disparar as ações torna-se incrivelmente simples, e ao mesmo tempo bastante significativo em termos de melhorias em praticamente todos os aspectos da rede (Capacidade, Qualidade e Cobertura). E naturalmente, ganhos em investimentos: a rede bem otimizada somente vai requerer ampliações quando for realmente necessário!

Mais uma vez agradecemos a visita. Continue participando, e fazendo parte dessa comunidade mundial que a cada dia cresce mais um pouco!

Até o próximo tutorial.