Estrutura de Diretórios para Telecom

sexta-feira, 6 de maio de 2011 10:56:00 Categories: Hunter Process
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Vamos falar hoje de um assunto diretamente ligado a organização, principalmente da documentação dos sites de uma rede celular qualquer. De forma bem simples, como essas informações podem trabalhar a nosso favor.

 

 

Gostamos, e concordamos com uma famosa frase usada em TI: "Toda estrutura não hierarquizada tende a tornar-se obsoleta!".

Mas o que isso tem a ver comigo? Vamos falar um pouco mais sobre o assunto, e aí você mesmo decide se as práticas sugeridas se aplicam a você, ou podem te ajudar.

Então vamos lá.

 

Objetivo

Apresentar uma proposta de estrutura de estrutura de diretórios auxiliar para profissionais de Telecom e TI, a fim de melhorar a organização e produtividade (mais rapidez, menos retrabalhos). E também aprender a criar uma interface com hyperlinks que permitam abrir qualquer um desses diretórios dinamicamente.

 

Motivação

Imagine que a área de Marketing da sua empresa fez uma Solicitação de Atendimento (Documento 1), pedindo uma nova Estação para atender a sede do Google – o GooglePlex.

A equipe de Planejamento incluiu este site em seu processo (Documento 2), e depois de aprovado, o mesmo foi passado para a equipe de Projeto.

Por sua vez, a equipe de Projeto fez um Site Survey (Documento 3), indicando os pontos candidatos, tirando algumas fotos dos locais (Documento 4). Após o fechamento de um dos pontos, fez também o Projeto de RF (Documento 5), com informações do Equipamento, Antenas, Azimutes, etc.

Paralelamente a equipe de Infra-Estrutura fez os Projetos de Infra (Documento 6), como por exemplo os croquis da obra.

Também paralelamente, a equipe de Transmissão também fez os seus Projetos de TX (Documento 7), analisando a viabilidade de cada ponto.

Tudo correu bem, e o site foi ativado – a equipe de drive test fez o Drive Test (Documento 8) de Ativação.

Mais um tempo se passou – durante o qual o pessoal de Operação e Manutenção realizou Manutenções (Documento 9) Preventivas e também Corretivas no local.

Certo dia, um funcionário do Google reclamou da qualidade, e a turma de Otimização (Documento 10) fez uma análise de KPI's e alterou parâmetros da Estação.

 

Deixando a imaginação de lado, a nossa história abordou diversas etapas desde a criação de uma nova estação, até o ponto em que a mesma passou a fazer parte integrante da rede.

Mas o que temos aqui?

Nesse ponto você já deve ter percebido a enorme quantidade de informação – documentos – que é gerada para um único site!

E o que acontece se essas informações não são armazenadas adequadamente? Ou melhor, você já teve que usar o buscar (F3) do Windows Explorer para encontrar onde está certo documento de um certo site?

Pois bem, por esse motivo é muito importante uma padronização da estrutura de diretórios onde as informações podem ser armazenadas – e principalmente acessadas – por todos! Indiscutivelmente, todos acabam ganhando.

E o contrário, obviamente acontece: quando as informações 'se perdem', fatalmente haverá necessidade de retrabalhos, ou seja, mais custos desnecessários e perda de tempo.

Além disso, com as informações conhecidas e disponíveis a todos, todas as áreas se beneficiam por trabalhos já realizados por outros.

Por exemplo, a equipe de Otimização pode usar as fotos tiradas pela equipe que fez a Ativação, para definir um melhor Azimute. A equipe de Infra pode utilizar as fotos da equipe que fez a Implantação para verificar se é possível instalar uma nova antena. O pessoal de Marketing pode utilizar o Drive Test para apresentar um relatório ao cliente, mostrando a área atendida. E assim por diante.

Resumindo: uma estrutura de diretórios bem definida permite um controle mais eficiente, permitindo uma maior integração de todas as áreas, onde todos saem ganhando. Muitos diretórios geralmente significam muita redundância e re-trabalho: geralmente não se consegue encontrar o que se procura!

Pelos motivos apontados, a estrutura de diretórios com as informações da rede devem seguir rigidamente as regras estabelecidas.

Então vamos lá, e definir essa estrutura?

 

Estrutura Principal

Você já deve estar acostumado com a nossa padronização. Seguimos uma metodologia que chamamos de Hunter – embora você possa desenvolver sua própria metodologia. Então, seguindo a estrutura principal Hunter, criamos mais um diretório – Sites (1), logo abaixo do módulo Network.

Na figura abaixo fica mais fácil de visualizar.

Esse será o diretório base de todos os demais sub-diretórios padronizados.

Nota: a estrutura apresentada serve apenas como sugestão. Você pode criar suas próprias estruturas, de acordo com a sua necessidade. Lembre-se apenas de garantir que todos sigam a mesma linha.

Vamos falar brevemente sobre cada sub- diretório, como por exemplo o sub-diretório do site GOG – GooglePlex.

 

E qual o Conteúdo dos Diretórios?

O conteúdo é intuitivo, seja pelo próprio nome de cada sub-diretório, seja pela pelos arquivos que foram gerados (descritos) em nosso exemplo acima, ou pelo que você vai definindo (para seu próprio uso ou pela equipe, quando for o caso). Mais uma vez lembre-se sempre que aqui damos apenas uma sugestão da forma como trabalhamos. Você tem total liberdade de criar as suas próprias nomenclaturas.

Mas de forma geral, seguem alguns exemplos dos documentos que podem ser armazenados em cada um dos sub-diretórios.

  • Drive Tests: todos os drive tests relacionados ao site. Como por exemplo o drive test de ativação do mesmo, um drive test de atendimento de uma reclamação desse site, etc.
  • OM: arquivos de Operação e Manutenção. Por exemplo, relatórios de medidas de VSWR das antenas, relatórios de manutenção periódica, etc.
  • Optimization: arquivos com estudos de otimização desse site, como documentos de alterações de parâmetros que o mesmo sofreu, etc.
  • Photos: todo tipo de fotos tiradas relacionadas a esse site. Esse particularmente é um diretório muito importante, e deve ser sempre consultado sempre que houver alguma dúvida em relação ao site.
  • Planning - Requests: informações relacionadas ao motivo que deu origem a esse site. Pode ser por exemplo uma solicitação de uma grande empresa, do governo, ou por motivos de estudos de capacidade, etc.
  • Projects - Infra: todos os projetos de infra estrutura envolvendo o site, por exemplo plantas em AutoCad, documentos de energia, etc.
  • Projects - RF: predições de cobertura, de preferência no Google Earth, facilitando uma rápida avaliação da área de cobertura projetada. Também documentos com as informações do projeto de cada BST – Coordenadas, Antenas, Azimutes, Alturas, etc.
  • Projects - TX: projetos de transmissão, principalmente as avaliações dos enlaces.
  • Site Surveys: documentos de apoio que foram ou são usados em captações de pontos candidatos, na busca do ponto definitivo. Todas as informações devem ficar armazenadas, principalmente na etapa inicial, onde o candidato escolhido pode ter algum impedimento – e aí fica mais fácil localizar onde estão os documentos dos outros pontos disponíveis.

 

Outros?

Como falamos, você pode criar os seus sub-diretórios de acordo com o que desejar. Somente uma dica: evite criar um sub-diretório chamado 'Outros'. Acredite: acaba sendo o diretório mais usado – todo mundo acaba colocando os documentos 'temporariamente' ali. Só depois é que você vai perceber que é melhor fazer um classificação antes, e seguir a regra.

De qualquer forma – você faz sua organização (ou da sua empresa)!

 

E como acessar mais rapidamente a nossa estrutura?

Você pode sim, usar a navegação do Windows Explorer. Mas pode chegar um momento em que você deseja ter um atalho para cada um dos sites da sua rede, e acessá-los mais rapidamente. Por exemplo, se estiver no módulo Hunter KPI Charts analisando o tráfego de um setor – e desejar abrir o sub-diretório com as informações desse site específico: Você pode simplesmente clicar em um botão e ir direto para esse diretório!

Uma opção é ter uma planilha do Excel, com a lista dos sites, e um hyperlink: clicando no link, você abre o diretório desejada! Pode ser usado.

Existe também uma outra opção – que preferimos: utilizar a estrutura do Sistema Hunter. Nesse caso, podemos usar o Access, com uma interface simples.

Uma vantagem é a seguinte: já temos todos os nossos sites em uma tabela, não?

Então, criamos um código VBA simples, que busca os dados dos sites em nosso database, e permite ao usuário simplesmente escolher o mesmo, e navegar diretamente para o local onde estão os documentos!

 

Vamos aprender um pouco mais?

Certo, então vamos ensinar agora como fazer um formulário simples no Access, para ser a interface com o usuário. No tutorial Hunter UI já tivemos uma introdução sobre interfaces, e como as mesmas podem ser criadas utilizando o Access.

Vamos criar uma agora – a primeira de muitas. Futuramente você vai ver que todas as nossas interfaces se 'interligam', graças a modularização do sistema.

Observação: O Sistema Hunter parte de uma interface única principal – de onde podemos chamar todas as outras interfaces de outros módulos. Essa funcionalidade ficará mais bem entendida depois que você tiver um pouco mais de conhecimento e experiência com outros módulos. Então não se preocupe agora – no momento, vamos fazer uma interface bem simples do módulo Network. E é claro que essa interface que faremos aqui não é a final – as interfaces podem sempre ser atualizadas para se interligar com mais aplicações.

Nota: embora possa parecer a princípio complicado, não é! É mais ou menos como uma webpage, onde você tem uma série de hyperlinks que facilitam a sua navegação – ao invés de digitar cada página que você deseja manualmente.

Mas vamos continuar.

Crie um novo arquivo em branco do Access e acesse o Menu Create -> Form Design.

Pronto: já temos uma interface. Só precisamos colocar nela os controles que desejamos.

No menu Design, você tem tudo aquilo que precisa.

 

Basicamente, temos 4 etapas:

  • Adicionar os controles que desejamos;
  • Criar os objetos do banco de dados que vão servir de apoio ou serão utilizados – tabelas, consultas, código VBA;
  • Atribuir funções aos controles;
  • Definir algumas propriedades – por exemplo o tamanho da nossa interface.

Observação: não existe uma 'receita de bolo' a ser seguida, principalmente porque a vontade e a criatividade de cada um é que vai ditar as regras.

Seguindo os passos que vamos mostrar aqui, acabará com uma interface como você verá no final do tutorial. Você pode usar isso como exemplo, ou ponto de partida para as suas próprias interfaces, com mais e melhores funcionalidades.

 

Adicionando os Controles

Primeiro, vamos adicionar uma imagem, para criar um impacto visual. Você pode por exemplo inserir o logo da sua empresa. Clicamos no link de Imagem no Menu Design, que abrirá uma caixa de seleção para escolhermos a nossa imagem. Em seguida, podemos fazer algums ajustes no tamanho dela, se for o caso.

 

Em seguida, inserimos um Label, e fazemos a sua formatação simples.

 

A seguir, adicionamos um Combobox, clicando no mesmo, e em seguida clicando no formulário.

Observe que agora o Access pergunta de onde os dados desse controle virão. Nós queremos que ele mostre os nossos sites, mas ainda não temos essa 'fonte'. Por enquanto, clique em Cancelar – o controle vai ser adicionado ao formulário, mesmo sem a fonte de dados. Mais tarde informamos a esse controle de onde ele deve buscar os dados para mostrar.

 

Seguindo, renomeamos o nome padrão do controle, por exemplo para 'Site'.

 

Precisamos agora de pelo menos um botão, para que, quando clicado, abra o diretório do Windows Explorer com documentos do site escolhido. Então, clicamos no Botão, e em seguida colocamos o mesmo no formulário. Veja que o Access novamente nos oferece um Wizard, agora para atribuir ações a esse controle. Da mesma forma, clique em cancelar, depois informamos o que o botão vai fazer. Mas podemos já renomear o nome padrão para um nome mais significativo, como por exemplo 'Open Folder...' que é o que ele vai fazer.

 

Observação: estamos criando hoje a nossa primeira interface 'funcional' do Hunter. Embora possamos inserir mais alguns controles, até para que ele se pareça mais com uma interface padrão, como um botão Exit, ou para que fique mais 'profissional', vamos ficar por aqui por enquanto, pois já dá para praticarmos e melhor – aprender.

Então, temos uma interface no momento simples e funcional – embora não tão funcional assim, já que ela não faz nada, e sua única opção é fechar. Para visualizar o formulário como uma interface, e também para depois voltar ao modo de estrutura – onde estamos, utilize o Menu Design -> View.

 

Quando você fechar esse formulário, o Access vai perguntar qual o nome dele. Salve esse formulário como 'Main'.

 

Agora, precisamos atribuir funções aos controles. Mas primeiro, precisamos ter criar esses objetos que serão a fonte dos mesmos.

 

Criando as Fontes de Dados dos Controles

Para os dados do nosso controle, você já pode usar o que aprendemos nos tutoriais anteriores.

Vincule a tabela tbl_Network do nosso banco de dados (...Hunter\Network\Database\Hunter_Network_DB.mdb). Se você não se lebra como fazer isso, leia novamente o tutorial 'Hunter GE Network (Sites)'.

Pronto, já temos uma tabela disponível, que contém os dados que precisamos: a lista de sites.

 

Entretanto, a tabela pode não ser uma boa fonte, principalmente porque talvez tenha dados duplicados para site, como nos casos em que temos várias BTS no mesmo site. Para resolver esse problema, vamos fazer uma consulta que 'formate' os dados como precisamos.

Naquele mesmo tutorial você aprendeu a criar esse tipo de consulta – no caso foi a 'qry_GE_Network_Sites'. Crie essa mesma consulta, só que agora é suficiente o campo Site. E também, salve essa consulta como 'qry_Network_Sites' – já que o propósito dela não tem nada a ver com o Google Earth – GE - hoje.

Relembrando: você pode criar essa consulta, como fez no outro tutorial – até mesmo porque essa é uma consulta extremamente simples, com apenas um campo. Mas você pode fazer de outra forma, principalmente futuramente, quando você tiver bancos de dados mais complexos, com consultas mais complexas ainda: você pode copiar e colar uma consulta de um banco de dados em outro! Começamos esse parágrafo com a palavra 'relembrando' porque você já aprendeu isso no Tutorial Hunter Interface, lembra?

Para fazer isso, abra o banco de dados que contém a consulta que deseja, selecione a mesma e tecle CTRL + C. Em seguida, no banco de dados destino, simplesmente tecle CTRL + V.

 

Assim, já temos uma nova consulta – renomeada para qry_Network_Sites' que pode ser usada pelo nosso combobox! (A consulta mostra os dados de latitude e longitude, mas podemos desconsiderar – ou se preferir, até remover da mesma. Não se preocupe com isso).

 

Falta agora a ação que o controle Botão vai fazer: abrir o diretório padrão no Windows Explorer do nosso site selecionado!

E para isso, vamos escrever um código VBA para fazer isso para nós.

Mais uma vez, vimos naquele tutorial – em outros anteriores como criar um código num Módulo VBA do Access. Mas hoje o código não vai ficar armazenado num Módulo, e sim dentro do próprio objeto Formulário que criamos.

Nota: o combobox que criamos no formulário foi adicionado com o nome de 'Combo1'. Devemos sempre dar nomes relevantes a nossos controles, pois quando nos referirmos aos mesmos nos nossos códigos, fica muito mais organizado e até mais fácil. Apenas para não refazermos o exemplo, vamos usar o nome padrão. Mas em seus desenvolvimentos, trate o assunto de nomenclatura de controles com bastante importância.

 

Atribuindo Funções aos Controles

Muita coisa que falamos aqui, e também a descrição detalhda de como atribuir as fontes de dados e também as funções a controles já foi explicado com detalhes no tutorial Hunter Interfaces.

A atribuição dos dados e ações aos controle é exatamente igual a forma como demonstramos no tutorial Hunter UI mencionado.

A única coisa nova hoje é o código, mas que é bem simples:

 

Chamamos a função Shell para abrir o Explorer, no diretório do site: Montamos o diretório completo, com a primeira letra 'Left(Me.Combo1.Value, 1)' e com o nome do site 'Me.Combo1.Value' como variáveis - de acordo com a nossa estrutura de diretórios.

 

Definindo algumas Propriedades

Por fim, definimos algumas propriedades - por exemplo o tamanho, o tipo de borda, etc - como mostramos principalmente nos tutoriais mencionados. Se tiver dúvidas sobre isso, por favor, leia novamente.

Assim, temos o nosso formulário pronto. Simples, mas funcional.

Agora, basta clicar escolher um site, clicar no botão 'Open Folder...' e...

Você está no diretório desejado!

 

Conclusão

Esse foi um breve tutorial sobre a importância da organização do armazenamento dos documentos da rede. Apresentamos uma sugestão de estrutura de diretórios que pode ser utilizada, facilitando a concentração de todos os documentos no lugar certo, onde eles devem ser armazenados – e consequentemente, mais facilmente buscados e acessados. Com o tempo, você vai perceber que essa é uma medida que traz grandes benefícios.

Também mostramos como criar uma aplicação do Hunter bem simples que permite abrir os diretórios padronizados, indo direto ao local desejado, sem necessidade de navegações repetitivas.

IMPORTANTE: Nos próximos módulos que serão publicados, estaremos progressivamente aumentando a complexidade. Em outras palavras, certifique-se que os conceitos do Sistema Hunter apresentados até aqui hoje estejam bem entendidos por você. Se precisar, leia alguns tutoriais novamente. Passaremos a focar mais em aplicações (drive test, kpi, audits, gráficos, predições, etc..), envolvendo consultas e códigos BEM mais complexos. Mas fique tranquilo, estaremos sempre ouvindo o seu feedback, pois você é o nosso foco. Caso contrário, porque vamos escrever, se você não aprender, não é mesmo?

E mesmo que você não seja um colaborador do portal, tenha certeza que você poderá aprender muito ainda. Você que já tem suas próprias macros e aplicativos, aprenderá dicas e macetes para melhorar ainda mais o seu trabalho. Além é claro de aprender nas outras Seções como Curso Exclusivo, Ofertas de Empregos, fantásticas Seção de Dicas – as melhores da área, sem falar das comunidades – Grupos e Redes Sociais telecomHall.

Aos colaboradores: por favor verifique que já possui os arquivos relativos a esse tutorial – já enviamos a você. Em caso de qualquer dúvida, ou não ter recebido, por favor entre em contato diretamente.

E a todos em geral, muito obrigado pela companhia, e até o nosso próximo encontro.